A maioria dos deputados federais não foram eleitos pela população

Há anos que se fala que a eleição no Brasil é democrática e que todos os representantes do povo foram eleitos pelo voto.

Pois bem, a coisa não é bem assim, pelo menos na escolha de deputados federais, deputados estaduais e vereadores.

Nas eleições majoritárias, onde temos a disputa pelos cargos de presidente da República, Senado, governador e prefeito, sim os que ganham mais votos assumem a cadeira.

Mas nas eleições proporcionais, os donos de partidos inventaram a fórmula do coeficiente eleitoral, onde nem sempre quem recebe mais voto é eleito.

E é por isso que as legendas adoram colocar na disputa celebridades ou políticos populistas, pois essas figuras são eleitas com grande quantidade de votos e, consequentemente, puxam com eles outros candidatos que jamais se elegeriam sozinhos.

Vamos imaginar que um determinado Estado tenha 10 vagas na Câmara dos Deputados e que o total de votos válidos na eleição, sem contar os brancos e nulos, foi de 100 mil. Isso significa que cada vaga corresponde a 10 mil votos. Então, como o voto do candidato também me contado para a sigla partidária, se o partido fizer 20 mil votos, ele fica com duas vagas e quem entra são os dois mais votados daquele partido.

Esse é o cálculo do famigerado coeficiente eleitoral. Podemos ter um partido que fez 9 mil votos e que desses 9 mil votos, um candidato fez 8 mil votos e foi o mais bem votado da eleição. Mesmo assim, ele vai ficar de fora porque o seu partido não atingiu o número de votos suficientes para levar uma das cadeiras.

Para você ter ideia da injustiça dessa conta, dos 513 deputados federais que se elegeram em 2022, apenas 26 se elegeram com os seus próprios votos e 487 deputados federais entraram só com o voto da legenda.

Ou seja, temos um Congresso hoje que não foi escolhido pelo brasileiro, mas sim por um método que só beneficia quem está na lista vip dos donos de partidos políticos.

Já na eleição de 2022 para deputado estadual em Santa Catarina, a maioria se elegeu por conta dos seus próprios votos, mas os candidatos Acélio Casagrande (PSDB), Saulo Sperotto (PSDB) e Pedrão Silvestre (PP) não se elegeram por falta de voto na legenda. Entraram nos seus lugares os deputados Estêner Soratto (PL), Lucas Neves (Podemos) e Matheus Cadorin (Novo). Inclusive, Cadorin foi só o 85º mais bem votado naquela eleição, mas ainda assim ficou com a vaga.

É por isso que estes que assumem as cadeiras em Brasília vão para lá para apenas cumprirem ordens e votarem de acordo com o interesse de seus caciques políticos e não com o interesse da população, que há anos tenta mudar, mas o sistema não deixa.

Adicionar comentário

Clique aqui para adicionar um comentário

Acompanhe

Entre em nosso grupo do Whatsapp e nos siga em nossas redes

Patrocinadores