A polarização entre a esquerda e a direita existe desde 2017, quando o então deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) se candidatou e virou presidente da República na eleição de 2018.
Talvez no Brasil nunca tenha havido duas vertentes tão diferentes como essa, diferenças que colocou Lula (PT) na cadeia em 2018 e agora condenou Jair Bolsonaro (PL) há mais de 28 anos de reclusão.
Apesar de tudo isso, essa diferença entre eles não impediu que parlamentares alinhados ao lulismo e ao bolsonarismo uniram forças no Congresso Nacional em votações voltadas para interesses corporativos da classe política, controle de recursos públicos e defesa de prerrogativas do próprio Legislativo.
De acordo com os levantamentos de consultorias legislativas e veículos de imprensa, petistas e bolsonaristas já votaram juntos em centenas de proposições. Entre as principais pautas de convergência estão:
• Regras eleitorais e fundos partidários: Acordos para aprovar mudanças no Código Eleitoral, criação e ampliação de recursos para o Fundo Partidário e flexibilização da fiscalização de contas de campanhas e legendas.
• Controle sobre o Orçamento e Emendas: Votações para garantir a execução obrigatória de emendas parlamentares e definir novos critérios de distribuição de verbas indicadas por deputados e senadores.
• Alterações em leis de controle e punição: Apoio conjunto a projetos que modificaram a Lei de Improbidade Administrativa, dificultando a punição de agentes públicos e políticos.
• Recursos contra atos do Congresso: Votações para restringir ou dificultar que partidos menores recorram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para anular decisões tomadas pelas Mesas Diretoras ou pelo plenário da Câmara e do Senado.
• Atritos institucionais com o STF: Convergências pontuais no Senado e na Câmara em propostas destinadas a responder ou impor limites a decisões da Suprema Corte.
Mas o que mais chamou a atenção em 2025 foi a eleição para presidente do Senado, onde Davi Alcolumbre (UB) se elegeu numa composição de apoiadores do Governo Lula com parlamentares do PL ligados a Jair Bolsonaro.
Após a vitória, Alcolumbre recebeu telefonemas de Lula e Bolsonaro parabenizando-o pela conquista. No seu discurso, afirmou que vai trabalhar “lado a lado” para apoiar a agenda do Executivo. “A agenda eleita na última eleição foi a agenda apresentada pelo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Nenhum senador, nenhuma senadora têm autoridade para atrapalhar a agenda do governo. O governo terá sua agenda totalmente respeitada”, afirmou.
Em troca do apoio, o PL recebeu o comando de comissões estratégicas importantes para o bolsonarismo, como Segurança e Direitos Humanos, e a primeira vice-presidência da casa.





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